terça-feira, 26 de dezembro de 2006

quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

Carlos Drummond de Andrade


Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cahoeira,no eclipse.
Amor foge aos dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem( e matam)
a cada instante é amor.

Carlos Drummond de Andrade

CONVITE TRISTE
Meu amigo, vamos sofrer,
vamos beber,vamos ler jornal,
vamos dizer que a vida é ruim,
meu amigo,vamos sofrer.
Vamos fazer um poema
ou qualquer outra besteira,
Fitar por exemplo uma estrela
por muito tempo,muito tempo
e dar um suspiro fundo
ou qualquer outra besteira.
Vamos beber uísque,vamos
beber cerveja preta e barata,
beber,gritar e morrer,
ou, quem sabe? beber apenas.
Vamos xingar a mulher,
que está envenenando a vida
com seus olhos e suas mãos
e o corpo que tem dois seios
e tem um umbigo também.
Meu amigo,vamos xingar
o corpo e tudo o que é dele
e que nunca será alma.
Meu amigo, vamos cantar,
vamos chorar de mansinho
e ouvir muita vitrola,
depois embriagados vamos
beber mais outros sequestros
( o olhar obsceno e a mão idiota)
depois vomitar e cair
e dormir.

FERNANDO PESSOA



Não sei quantas almas tenho. Cada momento mudei. Continuamente me estranho. Nunca me vi nem acabei. De tanto ser,só tenho alma. Quem tem alma não tem calma. Quem vê é só o que vê,quem sente não é quem é,atento ao que sou e vejo,torno-me eles e nao eu. Cada meu sonho ou desejo É do que nasce e não meu. Sou minha própria paisagem;Assisto a minha paisagem, Diverso, móbil e só, Não sei sentir-me onde estou. Por isso,alheio,vou lendo Como páginas,meu ser. O que sogue não prevendo, O que passou a esquecer. Noto à margem do que li O que julguei que senti. Releio e digo: " Fui eu?" Deus sabe,porque o escreveu.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

FERNADO PESSOA


SOLIDÃO: Uma maior solidão Lentamente se aproxima Do meu triste coração Enevoa-se-me o ser Como um olhar a cegar , A cegar,a escurecer. Jazo-me nem roxo,ou fim... Tanto nada quis de nada, Que hoje nada o quer de mim.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

Conheça...